Explico: em diversas situações aconteceu mas na classe médica é a área onde não permito que me façam semelhante coisa.
"...vamos fazer assim em data assado." E mais nada!
E então, porquê? Mas porquê? Mas será que ninguém pergunta o porquê???
Não quer dizer que o profissional de saúde habilitado não tenha razão (nem é isso que está em causa) mas onde está o porquê?
Na última vez que fui ao dentista (antes da Irene nascer) e sim, preciso de ir o mais breve possível, foi a 1ª consulta com um novo médico e, assim que abri a boca (mas foi mesmo assim que abri a boca!!) diz-me - "...está aqui um dente do siso para tirar. Vá tirar o raio X a Lisboa e depois venha cá!" Assim. Sem apelo nem agravo. Sem mais nem menos. Sem sorrir e sem explicar donde veio tamanha decisão de retirar tão importante secção de carne da minha pessoa. Assim, sem mais nem menos.
É claro que não fiz o raio X e não voltei lá. Sim, até pode ter razão mas convivo com o meu siso e o siso comigo ainda hoje :-)
ESCOLHA INFORMADA - algo que ouvi recentemente na formação sobre aleitamento materno, que se traduz pessoalmente, em tomar uma decisão tendo consciência plena dos prós e contras de determinada decisão. Tendo bem a noção das consequências da decisão que vamos tomar, seja ela qual for.
Assim foi em relação ao parto: informei-me do que se passa no hospital, informei-me do que se passa fora do hospital. E depois decidi (aqui a decisão claramente não foi individual!) como mulher o que representava cada decisão que iria tomar.
Ainda hoje é assim: febre? ok! Medicação homeopática de 2 em 2h, chá de salva com sal marinho em gotas pelo nariz, paninhos quentes com óleo de lavanda no peito para a tosse. Dá trabalho? Claro que sim! Demora mais tempo? Claro que sim! Vale a pena não optar pelo antibiótico para já? Claro que sim!
A sensação que ficou para trás: a vontade de chegar às urgências de qualquer hospital, ainda por cima o semi-privado a que tenho acesso :-) e pedir a bela da droga que poria toda a gente a dormir toda a noite....
Pois, ainda não foi desta!
O que me custa no meio disto tudo? O que me custa todos os dias que me lembro destas palavras "Escolha Informada"? As mulheres que não questionam sequer as decisões tomadas em relação ao seu corpo, em relação à sua maternidade, em relação aos seus filhos.
Não existe qualquer culpa ou algo a menos nessas mulheres. De todo!
Mas é urgente tomar o 1ª passo e sermos nós, mulheres, homens, pais a tomar nas mãos a responsabilidade da saúde dos nossos filhos e da nossa própria. Temos essa capacidade, ainda não temos esse mérito. Delegamos na classe médica as decisões sem sequer ouvir o que o nosso instinto diz em relação ao que se passa. Sem ouvir o nosso coração, sem escutar as próprias crianças que tão bem nos dizem quando algo de errado se passa.
Está mais do que na hora de metermos as mãos à obra. Somos responsáveis por criar cidadãos mais conscientes da sua saúde, das consequências físicas e mentais das suas decisões diárias. Chega de "é assim porque é assim"!
Porra, chega desta palhaçada!
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